terça-feira, 6 de novembro de 2012

Romney evita falar sobre fé mórmon, mas religião ajuda campanha

Primeiro presidente americano da igreja mórmon pode ser eleito hoje.

Romney tem feito um grande esforço para não falar sobre sua crença mórmon, apesar de ser um membro ativo e ter liderado uma congregação em Boston. Mas ao mesmo tempo, ele se apresenta como um candidato presidencial que tem fé religiosa. O objetivo é atrair o apoio de integrantes de outras religiões que compartilham suas posições sociais conservadoras.

O professor de Política Americana Kelly D. Patterson diz que Mitt Romney tem reforçado a fé de forma mais ampla porque precisa conquistar votos além da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias para se eleger. "Não faz sentido ele enfatizar a sua particularidade diante dos eleitores, ele tem que apontar o que eles têm em comum", afirma. Patterson reflete sobre o assunto de seu escritório na BYU, universidade mórmon em Provo da qual Mitt Romney foi aluno.

A estratégia do republicano tem dado certo. Ele tem angariado o apoio da maior parte dos evangélicos brancos. De acordo com levantamento do Centro de Pesquisa Pew realizado de 4 a 7 de outubro, Mitt Romney tem 73% destas intenções de votos, contra 21% para o presidente Barack Obama. Os evangélicos são atraídos pelas suas posições sociais conservadoras, como as contrárias ao aborto e casamento entre homossexuais.

O presidente Barack Obama, por outro lado, frequenta a Igreja Unida de Cristo, religião de denominação protestante que se orgulha de ser inclusiva das minorias raciais, gays e lésbicas. A igreja, que se descreve como muito plural e diversa, foi a primeira denominação protestante a ter um pastor gay, o reverendo William R. Johnson, em 1972. E desde 2005 apoia abertamente casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Mas seja qual for a religião, ter fé é fundamental para se eleger nos Estados Unidos, país que dificilmente terá um presidente ateu. O motivo é que a religião é muito importante entre os americanos, fato que Patterson testemunha diariamente em Utah, região historicamente mórmon e republicana. "Muitos indivíduos acreditam em Deus e vão à igreja regularmente. Por isso, se identificam com candidatos que têm uma fé", afirma.

Entre os exemplos da influência da religião na política, está o discurso anual do presidente para o Congresso chamado "Estado da União". Ao final da fala, já é tradicional que o presidente diga "Que Deus abençoe os Estados Unidos da América". Além disso, todos os ex-presidentes americanos tinham uma religião, como Bill Clinton, que era evangélico.

Mas claro que Romney conta, primeiramente, com o apoio da comunidade mórmon espalhada pelos Estados Unidos. Eles votam no republicano porque têm a mesma crença e tiveram mesmo tipo de experiências de vida. Mas Patterson garante que a religião é apenas parcialmente responsável por suas políticas. "O fato de que cresceu numa família mórmon moldou parte dos seus valores, mas também tem outros fatores, como sua história, raça, gênero e filiação partidária".

Votação em Provo tem diminuído

Apesar de a maioria dos moradores de Provo, em Utah, serem mórmons e republicanos, a tendência é que poucos votem nas eleições presidenciais. O motivo é o sistema de colégio eleitoral, que certamente contará o Estado como republicano, por causa do histórico de votos. E já que o voto é facultativo, não faz muito sentido votar nas eleições.

Para Patterson, esse é o lado ruim de morar num Estado tão republicano. "Aqui, os candidatos nunca aparecem, nós recebemos poucos anúncios na TV e o pessoal fica pouco engajado". A falta de competição política fez com que a região, que estava entre as cinco que mais votavam nos Estados Unidos, caísse para as cinco que menos votam.


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