segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Padre de Brasília de Minas combate a dengue distribuindo pães de queijo

Padre Bessa troca pão de queijo por garrafas vazias.

Uma belina 1975 percorre as ruas de Brasília de Minas (MG), e uma caixa de som anuncia a passagem do carro. Em cima do veículo, um pão de queijo gigante e no volante, um padre.

Aos poucos os moradores começam a sair de suas casas trazendo garrafas de plástico, vasilhas inutilizadas, latas e tudo que possa acumular água em seus quintais. O objetivo do pão de queijo móvel é recolher estes objetos que servem para a proliferação do mosquito da dengue. Em troca o morador recebe pães de queijo.

O responsável pela iniciativa é Aylson Bessa Cavalcante, ou padre Bessa. Ele tem 41 anos é natural de Fortaleza e já morou nas Filipinas e na Itália.

O jeito diferente de combater a dengue começou em Uberlândia (MG), 13 anos atrás. Com a troca, os moradores recebiam materiais escolares, que eram transportados em um carrinho improvisado e empurrado pelo próprio padre, fantasiado de palhaço.

Padre Bessa se mudou para o Norte de Minas há quatro anos, a primeira cidade em que morou foi Engenheiro Navarro (MG). Na mesma época comprou a belina, com o próprio dinheiro, por R$1 mil. Nesta época quem contribuía também ganhava materiais escolares.

Já em Montes Claros (MG), o padre teve outra ideia. “Quando eu mudei, percebi que o povo gostava muito de pequi, então resolvi distribuí-los. A iniciativa deu tão certo que mais de 10 mil foram doados à população”, lembra o padre.

Depois do sucesso do pequi móvel, o padre foi para Brasília de Minas (MG), onde está há oito meses. “Ao chegar aqui percebi que a população tinha acesso fácil ao pequi, já que há por perto muitas cidades que produzem o fruto. Daí mudei para o pão de queijo. Queria algo que tivesse uma relação próxima com a nossa cultura”, diz o padre.

Quem prepara os pães de queijo é o próprio Aylson Bessa e a receita foi ensinada por sua empregada doméstica. Ele faz as fornadas nos horários de intervalo entre os serviços prestados na paróquia de Sant’Ana.

“Para desenvolver meu trabalho, sinto a necessidade de envolver as pessoas. Sem a participação da comunidade a ação não tem valor, porque meu objetivo é que cada pessoa perceba que pode fazer algo, sem esperar pela ação das outras”, afirma o Padre Bessa.Os pães de queijo começaram a ser distribuídos nesta semana e mais de mil já foram trocados por objetos que acumulam água. Em 40 minutos o estoque do dia é esgotado.

O material arrecadado é vendido e a renda é utilizada para a compra de matérias escolares e lanches para as crianças de escolas da cidade. Uma outra parte é destinada a confecção de artesanato na cadeia da cidade e, após a venda dos produtos, o dinheiro vai para a família dos presos. “É a morte sendo transformada em vida, define o padre.

Ele ainda diz que a quantidade de material recolhido é considerável. “Embora as pessoas saibam que os recipientes que acumulam água oferecem riscos, e que a dengue é uma doença perigosa, muitas vezes não fazem a parte delas. É só eu passar com o pão de queijo móvel, anunciando nossa passagem pelo som, que vários moradores saem com sacos lotados de suas casas.”

Fonte: http://g1.globo.com/mg/grande-minas/noticia/2012/11/padre-de-brasilia-de-minas-combate-dengue-distribuindo-paes-de-queijo.html

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