sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Cemitérios se preparam para visitas no Dia dos Finados

Flores já enfeitam túmulos em todos os cemitérios do país.

Flores de plásticos já adornam entradas. Gente saudosa já ora por entre lápides e graças. Vassouras e baldes também circulam às dezenas num desfile apressado. Tratam de limpar a poeira e as folhas secas que sombra já não mais dão. Correm porque o Dia dos Finados é logo na sexta-feira, quando milhares voltam aos túmulos de seus mortos, rogar aos céus a eterna paz.

Há 10 anos, os irmãos Maria Lúcia Tavares, 65, e José Tavares, 61, se adiantam à data da homenagem. Foram logo ontem ao Cemitério São João Batista limpar os jazigos e rezar. “Hoje é mais tranquilo. Já limpamos, colocamos flores novas e incluímos o nome dos finados na lista da missa”, diz Lúcia. São oito os familiares enterrados ali. “Tio, mãe, sogra. Desejamos paz e revivemos as boas lembranças”.

Os túmulos que não recebem o agrado adiantado de parentes e familiares são, por vezes, cuidados por trabalhadores do próprio cemitério. Cláudio Andrade Filho, 50, trocou o dia de folga como segurança no São João Batista para limpar seis jazigos. “Tem gente que vem antes, mas muita gente mesmo é no Dia dos Finados. São milhares”, aposta. Um dos mais antigos cemitérios de Fortaleza, o Cemitério São João Batista foi fundado em 1866 e é administrado pela Santa Casa da Misericórdia de Fortaleza. Tem mais de 15 mil túmulos.

“É tanta gente que, para pintar ou fazer qualquer intervenção maior nos jazigos, só pode fazer com até um mês antes de Finados. É para não acumular entulho e estar tudo pronto até a data”, afirma a auxiliar administrativa do cemitério, Laylane Gadelha. Quantas pessoas devem chegar por lá, ela não soube precisar. “É muita gente”. Para atender a todos, as missas já se iniciam hoje, 30, às 10 horas da manhã.

No Cemitério São Vicente de Paula, no Mucuripe, só os garis da Prefeitura de Fortaleza trabalhavam na limpeza do chão. A segunda-feira por ali estava tranquila. “Falta só ajeitar a iluminação. Hoje não veio ninguém, mas devemos receber umas 10 mil pessoas na sexta-feira”, informa o coordenador Francisco Wilson Sousa – há 20 anos no cargo maior do cemitério público. Lá, são quase cinco mil túmulos.

Flores renovadas

O cemitério particular Parque da Paz, no Passaré, já tinha parte grande dos túmulos com flores já renovadas. “São mais de 25 mil túmulos e as famílias costumam vir com bastante frequência, apesar de a maioria vir mesmo é no Dia de Finados”, comenta o coordenador do cemitério, Paulo Roberto Queiroz. Com quase cem anos de vida, Maria Rodrigues Ribeiro era uma das que tinha adiantado a visita.

“Todos os anos, venho antes. É mais tranquilo. Dá para rezar em paz”, diz a senhora. Reza pela mãe e o marido mortos já há algumas décadas. No alto de seus 96 anos de idade, com a morte já tinha se entendido. “A gente espera. Meu médico diz que, com a saúde que tenho, ainda duro para mais de cem anos. Mas, se Deus tiver que levar antes, que leve”.


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