sábado, 6 de outubro de 2012

Sínodo 2012: Secularismo e esquecimento de Deus

Começa amanhã mais um encontro dos bispos no Vaticano.

Os participantes no próximo Sínodo dos Bispos, que se vai iniciar este domingo, no Vaticano, vão abordar a “dinâmica secularizadora” nas sociedades ocidentais e as suas marcas “substanciais” em países de tradição cristã, onde Deus surge esquecido.

A posição é assumida no instrumento de trabalho (instrumentum laboris) da 13ª assembleia geral ordinária do Sínodo, no qual são analisados sete “cenários”: cultural, migratório, econômico, político, pesquisa científica e tecnológica, comunicativo e religioso.

“A ‘morte de Deus’ anunciada nos decênios passados por tantos intelectuais deu lugar a uma estéril mentalidade hedonista e consumista, que conduz a formas muito superficiais de afrontar a vida e as responsabilidades”, assinala o documento.

A próxima assembleia sinodal, que vai decorrer entre os dias 7 e 28 deste mês, é dedicada ao tema ‘A nova evangelização para a transmissão da fé cristã’.

Reunindo contributos de bispos e religiosos de todo o mundo, o texto de trabalho refere que o “sentimento geral é de preocupação” e que as respostas recolhidas “dão a impressão de que muitas comunidades cristãs ainda não perceberam plenamente o alcance do desafio e a natureza da crise gerada por este ambiente cultural também no interior da Igreja”.

Os responsáveis católicos manifestam preocupações face ao “fenómeno do distanciamento da fé que progressivamente se manifesta nas sociedades e nas culturas que há muito apareciam impregnadas pelo Evangelho”.

O texto base fala no risco “real” de se perderem “os elementos fundamentais da fé”, frisando que a secularização se apresenta “através da imagem positiva da libertação, da possibilidade de imaginar a vida do mundo e da humanidade sem referência à transcendência”.

“As respostas à necessidade religiosa assumem formas de espiritualidade individualista ou formas de neopaganismo, ao ponto de se impor um ambiente geral de relativismo”, acrescenta o documento, disponibilizado em oito línguas, incluindo o português, através da página do Vaticano na internet.

Neste contexto, assinalam-se “transformações sociais e culturais” que estão a “modificar profundamente a perceção que o homem tem de si e do mundo”, gerando repercussões também sobre “o seu modo de acreditar em Deus”.

“Várias Igrejas particulares conhecem o afastamento dos fiéis, por causa da pouca fé, da vida sacramental e da prática cristã”, indica o instrumento de trabalho do Sínodo, acrescentando que “algumas até poderiam ser inseridas na categoria dos não-crentes”.

O Sínodo dos Bispos pode ser definido, em termos gerais, como uma assembleia consultiva de representantes dos episcopados católicos de todo o mundo, a que se juntam peritos e outros convidados, com a tarefa ajudar o Papa no governo da Igreja. (Por OC)


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