sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Republicano se desculpa por falar de gravidez após estupro

Richard Mourdock, candidato republicano ao Senado americano pelo Estado de Indiana, pediu desculpas hoje por causa da declaração de que uma gravidez resultante de um estupro acontece por "vontade de Deus".

O político afirmou ter sido mal-entendido, enquanto o candidato republicano à Presidência do país, Mitt Romney, manteve o apoio ao colega. Mourdock deu a declaração no Senado ontem, em um debate contra seus rivais na disputa pela vaga, os democratas Joe Donnelly e Andrew Horning. Ele opinava a respeito da opção de ter a prioridade da vida da mãe como única exceção para a proibição ao aborto.

"Eu lutei com essa minha opinião por muito tempo, mas acabei percebendo que a vida é um presente de Deus. Acho que, quando a vida começa nesta terrível situação de estupro, isso é algo que Deus quis que acontecesse." Hoje, Mourdock convocou a mídia para dizer que abomina estupro e violência contra mulheres. "Eu, certamente, estou surpreendido com o fato de que tantas pessoas tiveram a mesma interpretação."

Romney se apressou para se distanciar das declarações. A porta-voz dele, Andrea Saul, destacou que o candidato republicano "discorda das declarações de Richard Mourdock". Por outro lado, a campanha decidiu não tirar do ar um anúncio no qual o presidenciável oferece apoio a Mourdock. 

Enquanto isso, a equipe da campanha de Barack Obama à reeleição aproveitou a oportunidade para destacar as diferenças entre os dois candidatos no assunto.

"O presidente acha que estas declarações são chocantes e insultantes para as mulheres. Isso nos lembra que um Congresso republicano que trabalhe consensualmente com um presidente republicano vai considerar que as mulheres não podem tomar as suas próprias decisões sobre sua saúde", afirmou a porta-voz da campanha, Jennifer Psaki.

Esta é a segunda vez que a campanha de Romney sofre com declarações controversas quanto ao direito ao aborto. Em agosto passado, o deputado republicano Todd Akin provocou uma onda de críticas depois de ter afirmado que raramente uma mulher engravida depois de sofrer um estupro.

Quando explicava sua oposição total ao aborto -também em casos de estupro-, Akin, membro da Comissão de Ciências do Congresso e candidato a senador pelo Estado de Missouri, afirmou que "os casos de gravidez depois de um estupro são muito raros". "Se for um verdadeiro estupro, o corpo da mulher tenta por todos os meios bloquear isso", acrescentou.


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