quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Ex-mordomo guardava milhares de documentos que o papa queria destruir

Paolo Gabriele no banco dos réus.

Mais de mil documentos importantes, muitos deles originais com a assinatura do papa, além de cartas pessoais de Bento XVI que deveriam ter sido destruídas, foram encontrados na casa de seu ex-mordomo, confirmaram nesta quarta-feira quatro agentes da força policial do Vaticano.

Esses documentos foram descobertos entre "centenas de milhares" achados no domicílio de Paolo Gabriele, de 46 anos, no Vaticano, segundo informaram os agentes, que testemunharam na terceira audiência do julgamento contra o mordomo.

A audiência foi acompanhada por Gabriele, que parecia impassível e apenas em alguns momentos deixou escapar um pequeno sorriso, principalmente quando os agentes relataram a batida em sua casa, no último dia 23 de maio.

Os agentes que testemunharam foram Luca Cintia, Stefano De Santis, Silvano Carlo e Luca Bassetti, que confirmaram que os documentos estavam escondidos entre os "centenas de milhares" que guardava e que muitos desses textos aparecem no livro "Sua Santità", de Guanluigi Nuzzi, que revela supostas intrigas e escândalos no Vaticano.

De Santis assegurou que a batida - que durou cerca de oito horas - aconteceu na presença de Gabriele, sua esposa, filhos e seu advogado Carlo Fusco. Os agentes pediram que tirassem as crianças da casa, para evitar qualquer mal-estar, mas Gabriele preferiu que permanecessem.

Segundo o depoimento dos agentes, as centenas de milhares de documentos ocupavam 82 caixas que foram levadas às dependências do Corpo da Gendarmaria do Estado da Cidade do Vaticano, distante poucos metros da casa de Gabriele.

Os documentos importantes, muitos deles fotocopiados, se referiam à vida, à família e a outros dados que correspondem à privacidade do papa, por isso alguns deles continham a ordem para que fossem destruídos.

Outros se referiam a cartas enviadas ao papa por cardeais, clérigos ou pessoas que lhe pediam conselhos, outras de respostas do pontífice, assim como documentos enviados ou recebidos das Nunciaturas (embaixadas do Vaticano).

Além disso, encontraram na casa de Gabriele documentos sobre o ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi e o assassinado banqueiro Roberto Calvi, além de textos sobre ioga, cristianismo, maçonaria e esoterismo.

Documentos sobre como realizar vídeos através dos computadores, como usar um telefone celular sem deixar rastros e vários materiais para armazenar dados eletrônicos também foram encontrados.

De Santis detalhou que os agentes não buscavam "nem armas nem drogas", apenas documentos e que muitos deles estavam codificados. Além disso, confirmaram ter visto o cheque no valor de 100 mil euros doado a Bento XVI pela Universidad Católica de Múrcia (Espanha) e a semente, supostamente de ouro, dada ao papa em uma viagem, os quais, segundo disse ontem Gabriele durante seu interrogatório, desconhece como chegaram a seu domicílio.


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