quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Equipe de 150 pessoas ajuda padre a celebrar missa para 3 mil pessoas

Galpão foi erguido para abrigar fiéis durante a missa.


Depois de ter sido proibido de comandar celebrações por quse 1 ano, o padre Luiz Augusto voltou a atrair multidões e suas missas já reúnem aproximadamente 3 mil fiéis. Em um único domingo, quando são realizadas três missas, o número de pessoas que comparecem ao galpão da Paróquia Santa Teresinha do Menino Jesus, no Setor Expansul, em Aparecida de Goiânia, fica perto de 9 mil. O G1 acompanhou uma celebração. Para receber todo esse contingente, a cada missa, o vigário conta com a ajuda de cerca de 150 pessoas. A maioria delas ajuda na limpeza e organização do templo antes das missas. Parte desse grupo também trabalha com música, cantando e tocando instrumentos, recolhendo o dízimo e com a liturgia.



Esse grupo se reveza ao longo do domingo e a primeira turma chega por volta das 6h da manhã. Boa parte dessas pessoas trabalha com o sacerdote há mais de dez anos. Além do grande número de participantes, as missas do padre Luiz também se diferenciam por não usar os tradicionais folhetos católicos, pelo fato de muitos presentes levarem a bíblia e por se estender por mais de uma hora.

Marcada para as 10h, a missa acompanhada pelo G1 começou um pouco antes do horário, com músicas animadas, crianças no altar e muitas referências ao Espírito Santo. Há um grupo de pessoas que acompanha o coro, cantando e dançando. Na entrada, não tem os tradicionais folhetos de missa católica e os fiéis vão chegando aos poucos, com a bíblia na mão. Boa parte deles é composta por casais jovens e com filhos pequenos.

O rito de início da celebração, propriamente dito, acontece às 10h16. A igreja estava cheia, mas as pessoas continuavam a chegar. Às 10h25, as três mil cadeiras do templo já estavam quase todas ocupadas. Atento a tudo, na hora do perdão, ou confissão comunitária, o padre dirige-se ao final do corredor central do templo e faz sinal para que um dos voluntários recolha um copo descartável caído no chão.

No meio da leitura de uma passagem bíblica, às 10h29, a missa passa a sofrer interferências do carro de som, que conduz uma carreata em apoio a um candidato a vereador no município. Avisados por um assessor do padre que a ação deles é uma infração eleitoral, o ruído diminui um pouco, e o locutor começa a elogiar o trabalho do novo sacerdote da região.

Propaganda eleitoral

Um grupo de vendedores de pipoca, velas com imagens de santos, camisetas com temas religiosos, livro de orações escrito pelo padre, salgadinhos, água e refrigerante está posicionado em frente ao recém-construído prédio da paróquia. Apesar da presença deles, o ambiente é tranquilo e não há tumulto. A venda de lanches é proibida durante a pregação.

Um dos vendedores é o Alcenor Gomes, 53 anos, morador do Jardim América em Goiânia. Ele e a esposa têm uma banca de salgados e refrigerantes e uma de produtos artesanais com temática religiosa, como bolsas e velas. Parte da verba do que é vendido é revertida para a paróquia.

Alcenor conta que trabalha com o padre há 13 anos em um projeto voltado para dependentes químicos e pessoas com depressão. Com a transferência do padre da Paróquia Sagrada Família, na Vila Canaã,  ele passou a coordenar um trabalho similar no Setor Expansul: o Projeto São Miguel Arcanjo, que acontece às quartas-feiras.

O voluntário comenta que o trabalho com a nova comunidade é recente, começou em fevereiro, e os moradores começaram a conhecê-lo agora. Para chamar a atenção, divulgam com o carro de som, distribuem avisos e, em alguns casos, fazem visitas a casa de pessoas da igreja que reúnem um grupo de interessados em conhecer o projeto.

“O nosso filho era dependente químico e hoje está na fase da sobriedade. Não usa drogas, mas o acompanhamos de perto. Fomos trazidos para a igreja pela dor, mas continuamos pelo amor”, ressalta.

Evangelho e vídeo

Depois da leitura do evangelho, é exibido um vídeo sobre o trabalho da Comunidade Atos, fundada há quatro anos no setor Sítio Recreio dos Bandeirantes por membros da Paróquia da Sagrada Família. O objetivo da mostra é conseguir doadores de recursos financeiros, materiais e voluntários. Na sequência, uma apresentação teatral lembra os fieis da realização de um evento com música e oração ligado às comemorações pelo dia de Santa Teresinha do Menino Jesus, em 1º de outubro.

O pipoqueiro Jeová Ferreira de Souza, 47 anos, da Vila Canaã, vendeu pipoca na porta da Sagrada Família há 15 anos. Desde fevereiro, passou a trabalhar no Setor Expansul. “Sou católico. Vendo pipoca aos domingos e assisto à missa às segundas e terças, na igreja perto da minha casa”, conta.

Pouco antes do final da missa, quando há um momento de adoração, o padre Luiz Augusto dá alguns avisos aos paroquianos e, de um modo bem-humorado, chama a atenção a um deles que “estava olhando para o celular”.

Depois da missa

Quando a missa do padre Luiz Augusto termina, já é quase meio-dia. Ele ainda atende cerca de 20 pessoas interessadas em cumprimentá-lo, serem abençoadas por ele, conseguir um autógrafo para um livro e até abençoar um carro.

A professora da rede pública municipal de Goiânia Maria de Fátima da Costa se divide entre duas paróquias. Ela é catequista na Paróquia Nossa Senhora da Assunção, na Vila Itatiaia, e reside no Setor Bairro Feliz. Parte dessa divisão se deve ao fato de o filho e a nora da professora terem uma banca de cachorro quente na Santa Teresinha.

“Além disso, eu não consigo me afastar do padre Luiz. Ele tem um poder de oração muito grande. De oração, de cura e libertação. Ele acompanha a minha família há quase 17 anos”, diz a professora, que levou um exemplar de “Sei que posso mais”, de Igo Neander, com orações do padre Luiz Augusto. “Vou dar de presente ao meu filho”, conta.

A farmacêutica Danielly Moura Rolim foi à missa acompanhada do marido Armandson e das duas filhas do casal Natália, de 3 anos, e Helena, de 1 ano. Ela conta que participa das celebrações do padre há 9 anos, quando se casou. “Ele renovou a minha fé e a do meu esposo. Somos católicos desde criança e nossas famílias são católicas também, mas a nosso fé despertou com o padre Luiz”, declara.

Já a pensionista Zanailde Rocha é moradora do Setor Expansul, em Aparecida de Goiânia. Ela conta que já tinha ouvido falar do padre Luiz e chegou a ir a algumas de suas missas. Agora ela tem a chance ver a sua missa mais vezes, perto de casa. “É uma benção de Deus. Tudo o que ele faz é bom. O trabalho dele com a comunidade e a missa”, comemora.

Fonte: http://g1.globo.com/goias/noticia/2012/09/equipe-de-150-pessoas-ajuda-padre-celebrar-missa-para-3-mil-pessoas.html

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