segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Bispo português assume coordenação do setor do património

Tradição e nova evangelização juntas em novo departamento de cultura.

O bispo português D. Carlos Azevedo vai assumir a coordenação do setor do patrimônio no Vaticano, revelou hoje a Santa Sé, após Bento XVI ter unificado a Comissão Pontifícia dos Bens Culturais ao Conselho Pontifício da Cultura (CPC).

A mudança, decidida pelo Papa e comunicada através do documento (motu proprio) ‘Pulchritudinis Fidei’ (a beleza da fé), vai entrar em vigor no dia 3 de novembro, alterando assim a organização da tutela do patrimônio histórico e artístico de toda a Igreja Católica.

Em declarações à Agência ECCLESIA, D. Carlos Azevedo diz que a prioridade do novo departamento passa por “avaliar a concretização nas dioceses das orientações sobre catalogação, arquivos, bibliotecas e museus”.

O delegado do CPC para os Bens Culturais deseja ainda que seja possível “promover o intercâmbio entre experiências positivas e ajudar tecnicamente Igrejas com mais dificuldades”. Segundo o bispo português é necessário “incentivar uma leitura plena, simbólica e teológica, das obras de arte religiosa da Igreja”.

Outra das prioridades imediatas passa por constituir um grupo de música sacra que, em colaboração com a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, “incentive a qualidade musical das atuais celebrações”.

A mudança foi explicada pelo presidente do CPC, D. Gianfranco Ravasi, em entrevista ao jornal do Vaticano, ‘L’Osservatore Romano’, publicada esta quinta-feira.

O cardeal italiano fala num “novo conceito de cultura” que exige uma “simbologia de conjunto” e um trabalho de salvaguarda dos bens culturais que leve a “desenvolver a sua valorização e utilização ao serviço da nova evangelização e da dimensão estética no pensamento contemporâneo”.

“É preciso evitar uma aproximação unicamente conservadora dos bens, é fundamental que haja uma fruição que gere prazer, que seja capaz de ‘encher os olhos’ a quem está habituado a ver só fealdade, edifícios horríveis e imagens banais”, acrescenta o presidente do CPC.

A Comissão Pontifícia para os Bens Culturais da Igreja tinha sido instituída por João Paulo II em 1993, 11 anos depois da criação do Conselho Pontifício da Cultura, pelo mesmo Papa.

“A unificação dos dois organismos sela assim um percurso de convergência - realizado também nas legislações de muitos países - rumo a uma visão cultural ampla e diversificada na sua estrutura e unidade orgânica, na qual o extraordinário patrimônio histórico e artístico da Igreja recebe um lugar mais digno nas atividades culturais promovidas pela Santa Sé”, explica um comunicado do CPC, publicado na página do organismo do Vaticano na internet.

D. Carlos Azevedo foi nomeado por Bento XVI como delegado do Conselho Pontifício para a Cultura no dia 11 de novembro de 2011. O prelado, historiador de formação e membro da Academia Portuguesa de História, nasceu em Milheirós de Poiares, Santa Maria da Feira, a 4 de setembro de 1953.

Antigo vice-reitor da Universidade Católica Portuguesa (UCP), D. Carlos Azevedo presidiu à direção do Centro de Estudos de História Religiosa dessa instituição acadêmica  de 1992 a 2001, e dirigiu o ‘Dicionário e História Religiosa de Portugal’, editado pelo Círculo de Leitores, tendo sido também presidente da comissão científica para a publicação da Documentação Crítica de Fátima (1998-2008).

Foi nomeado por João Paulo II como bispo auxiliar de Lisboa a 4 de fevereiro de 2005 e ordenado no Porto, a 2 de abril de 2005.


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