quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Cristão copta egípcio é julgado por divulgar na internet vídeo de Maomé

Grupos islâmicos radicais realizam protestos diariamente.

Um tribunal do Cairo julgará nesta quarta-feira um cristão copta acusado de ter insultado as religiões monoteístas e divulgado no Facebook o vídeo do profeta Maomé que gerou protestos no mundo árabe, informou nesta terça-feira à agência EFE uma fonte policial.

O jovem, identificado como Albert Saber, foi detido no dia 13 de setembro após ter postado em sua conta do Facebook o vídeo A inocência dos muçulmanos.

Albert Saber foi acusado, além disso, de ter colocado em dúvida as religiões monoteístas como o cristianismo e o islamismo e a se converter ao ateísmo. Após interrogar Saber, a Procuradoria Geral egípcia determinou que o jovem comparecesse em um tribunal pelas acusações citadas, acrescentou a fonte.

O vídeo de Maomé, produzidos nos EUA e considerado uma blasfêmia pelos muçulmanos, desencadeou nas últimas semanas uma onda de protestos em vários países, entre eles o Egito, onde uma pessoa morreu e centenas ficaram feridas nos choques entre manifestantes e policiais nas proximidades da embaixada americana.

Filme anti-islamismo desencadeia protestos contra EUA

Na última terça-feira, 11 de setembro, protestos irromperam em frente às embaixadas americanas do Cairo, no Egito, e de Benghazi, na Líbia, motivados por um vídeo que zombava do islamismo e de Maomé, o profeta muçulmano. No primeiro caso, os manifestantes destroçaram a bandeira estadunidense; no segundo, os ataques chegaram ao interior da embaixada, durante os quais morreram, entre outros, o embaixador e representante de Washington, Cristopher Stevens.

Os protestos se disseminaram-se contra embaixadas americanas em diversos países da África e do Oriente Médio. Sexta, 14 de setembro, registrou o ápice da tensão, quando eventos foram registrados em Túnis (Tunísia), Cartum (Sudão), Jerusalém (Israel) , Amã (Jordânia) e Sanaa (Iêmen). No Cairo, as manifestações têm sido quase diárias. No dia 17, Afeganistão e Indonésia também tiveram protestos.

O vídeo que desencadeou esta onda de protestos no mesmo dia em que os Estados Unidos relembravam os atentados terroristas de 2001 traz trechos de Innocence of Muslims, filme produzido nos Estados Unidos sob a suposta direção de Nakoula Basseky Nakoula. Ele seria um cristão copta egípcio residente nos Estados Unidos, mas sua verdadeira identidade e localização ainda são investigadas. O filme, de qualidades intelectual e cultural amplamente questionáveis, zomba abertamente do Islã e denigre de a imagem de Maomé, principal nome da tradição muçulmana.

A Casa Branca lamentou o conteúdo do material, afirmou não ter nenhuma relação com suas premissas e ordenou o reforço das embaixadas americanas. No dia 15 de setembro, a Al-Qaeda emitiu um comunicado no qual afirmava que a ação em Benghazi foi uma vingança pela morte do número 2 da rede terrorista no Iêmen em um ataque do Exército.


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