sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Arqueólogos búlgaros dizem ter encontrado ossos de São João Batista

Santo é bastante reverenciado na Bulgária .

No fim de julho, uma pequeno relicário de alabastro com alguns pedaços de ossos encontrada numa ilhota do Mar Negro, na costa búlgara, agitou a comunidade científica do país do leste europeu. Baseados apenas em provas circunstanciais e inscrições, arqueólogos do país afirmam que se trata dos ossos de uma das figuras mais importantes do Cristianismo: São João Batista.

De acordo com a Bíblia, o santo reconheceu Jesus Cristo como o Messias e o batizou nas águas do rio Jordão. Foi decapitado a mando de Herodes, governador da Palestina, no ano 36. O santo é bastante reverenciado na Igreja Ortodoxa, predominante na Bulgária.

Um dente e fragmentos de osso do crânio e braço foram encontrados dentro do relicário pela equipe do arqueólogo Kazimir Popkonstantin em um altar de um templo do século 5 localizado na ilha de Sveti Ivan, perto da cidade costeira de Sozopol. No local, havia uma inscrição que atribuía as relíquias ao santo e mencionava o dia de seu nascimento, 24 de junho. Na ilha (cujo nome traduzido do búlgaro significa São João) houve posteriormente uma igreja dedicada a São João, datada do século 11. Essas são as provas, no momento, que garantem a procedência dos ossos. Eventualmente, testes de carbono 14 deverão ser feitos para estabelecer a idade das relíquias.

Definitivamente, a ilha búlgara não está sozinha em reclamar parte do esqueleto de São João Batista para si: na Grande Mesquita de Damasco, na Síria e a catedral de Amiens, na França, reclamam para si a cabeça do santo, e seu suposto braço direito está em um museu em Istambul.

Polêmica

A pressa em considerar os artefatos como genuínos causou tensão entre membros do governo búlgaro e a comunidade científica do país. Ao comentar a reação de arqueólogos não envolvidos com a descoberta, que afirmavam que seria necessário fazer alguns testes para assegurar a idade dos ossos antes declará-los autênticos, o ministro da Diáspora Búlgara Bozhidar Dimitrov se exaltou e usou de palavras de baixo calão para se referir aos “dissidentes”.

Segundo a agência de notícias local Novinite, o fato gerou uma crise política que quase causou sua expulsão do Partido Socialista búlgaro. Dimitrov emitiu uma declaração pública de desculpas a um dos arqueólogos envolvidos, Nikolay Ovcharov. Os ossos estão agora em uma igreja em Sozopol, que espera se tornar um centro de turismo religioso na região.


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