terça-feira, 21 de agosto de 2012

“Santinhos” de papel: candidatos mantêm modelo da Igreja Católica nas eleições

Santinho político: será que é santo mesmo?

A Igreja Católica tem por tradição distribuir pequenos papéis com imagens de santos, ao que chamamos de “santinhos”. Trata-se de um material religioso que agrega informações e orações de fé e devoção. No entanto, o formato adotado, bem como o próprio termo, passaram a ser adotados na política em períodos eleitorais. Se por um lado Santo é todo aquele que foi convertido e salvo ou que tenha virtudes especiais, seria correto associar o termo ‘santinho’ à política, muitas vezes atrelada à corrupção?

Na avaliação do padre Otto Dana, pároco da Igreja Sant´Ana, em Rio Claro, a palavra “santinho”, para identificar aquele cartão que estampa a cara dos candidatos, é um arremedo infeliz de uma tradição da Igreja Católica de estimular a devoção aos seus santos, distribuindo a efígie deles num cartão de bolso, tendo no verso uma oração ou dados biográficos daquele santo. “No caso dos ‘santinhos’ políticos, nem o candidato e nem os eleitores ousariam a blasfêmia de se confundir com os da Igreja. É mais uma questão de formato que de conteúdo”, comenta Pe. Otto.

De parte dos protestantes (evangélicos), é sabido que toda intercessão e adoração são feitas a Cristo, sem adoração a santos e imagens. No entanto, não há problemas em fazer uso do material e termo na campanha eleitoral entre os que seguem a religião. O bispo e, também, candidato Jairo Tardivo entende que a expressão ‘santinho’ utilizada para se falar do material impresso de campanha é apenas uma terminologia popular (apelido). “Não tem nada a ver com a questão doutrinária que os evangélicos entendem como pecado, baseado na bíblia em Êxodo 20:3,4. Não vejo problema em utilizar tal expressão”, argumenta.

Além disso, reforça que é difícil chegar ao ponto de até questionarmos a utilização do termo ‘santinho’ para se referir a qualquer coisa ligada a candidatos, devido aos péssimos exemplos de caráter e atitudes de certos políticos. “Mas penso que não devemos nos esquecer da proposta pela qual a sociedade humana estabeleceu, em sua história, as estruturas de governo democrático: eleger pessoas que busquem o bem do povo. Democracia é governo do povo, pelo povo e para o povo. Quiçá um dia vejamos essa realidade em nosso país. Aí, sim, o termo ‘santinho’ será bem mais apropriado”, conclui Tardivo. (Por Adriel Arvolea)

Fonte: http://jornalcidade.uol.com.br/rioclaro/ultima-pagina/ultima-pagina/94760--Santinhos-de-papel:-candidatos-mantem-modelo-da-Igreja-Catolica-nas-eleicoes
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...