quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Empresários transformam religião em um bom negócio

Site "Amor em Cristo", quase 500 mil acessos por mês.

Os nichos de mercado são formados para atender necessidades específicas de determinados públicos-alvo. E atento a uma demanda que não estava sendo atendida, Carlos Vinicius Buzulim, junto com mais cinco sócios, criou em 2003 o site de relacionamento Amor em Cristo. "Este é um local para que pessoas com a mesma fé evangélica se conheçam. O objetivo é que, a partir daí, saiam casamentos pautados no que diz a religião", explica.

Dados divulgados em junho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o número de evangélicos no País aumentou 61,45% em 10 anos. Em 2000, 26,2 milhões de pessoas se disseram evangélicos, enquanto que, em 2010, esse número saltou para 42,3 milhões. No entanto, o Brasil segue com maioria católica, religião declarada por 64,6% da população, o equivalente a 123,3 milhões de pessoas.

Carlos, que também é evangélico e hoje é presidente do site, conta que ele e os sócios tinham o desejo de juntar duas paixões: a religião e a tecnologia. "Não que seja obrigatório, mas no geral evangélicos se relacionam com seus pares. Isso explica o motivo de eles não serem atendidos pelos sites tradicionais de relacionamento", afirma. Na época do inicio da operação, já havia portais voltados para esse público no Canadá e nos Estados Unidos.

Hoje, o Amor em Cristo tem cerca de dois milhões de usuários cadastrados - em 2009 esse número era de 600 mil. Carlos estima que, por mês, entre 400 mil e 500 mil usuários acessem o site. O cadastro é gratuito, mas para que se consiga uma interação maior - como um bate papo exclusivo do portal - é preciso pagar. A receita do site vem do pagamento por esses produtos.

O caráter religioso do portal fica claro na interação com os usuários. Além da equipe de tecnologia, o site também conta com a consultoria de pastores que ajudam a responder as questões enviadas por internautas. Carlos conta que não é raro receber e-mail de pessoas que reclamam porque ainda não encontraram um parceiro. "Então respondemos, pautados na Bíblia, no fato de que Deus tem planos para cada um", diz.

No começo, a maior parte dos usurários pertencia às classes C e D, que, não coincidentemente, também era o nível socioeconômico da massa de evangélicos. "Mas hoje isso mudou. Atingimos predominantemente as classes B e C, o que também é reflexo de uma ascensão como um todo não só dos evangélicos, mas da população", aponta Carlos.

Próximos passos

Para que o site cresça, os sócios investem em divulgação. Carlos diz que recentemente a empresa terceirizou a parte do que eles chamam de "Google". "É esse parceiro quem cuida da maneira como somos achados nos sites de busca. Ele trabalha para otimizar o uso de palavras chave, por exemplo", explica.

Recentemente, foi criado um canal no YouTube para o Amor em Cristo com o depoimentos de cinco casais que se conheceram por meio do site e, hoje, estão casados. "Nossa maior divulgação é mostrar os casos reais", aponta Carlos.


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