quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Católicos saúdam Bem-Aventurada

Túmulo da religiosa na Capela das Relíquias.

"Na medida em que passa o tempo da morte e da beatificação, vamos percebendo novos aspectos da sua rica personalidade. Percebemos que ela está muito próxima de nós pela simplicidade da vida que levou e muito próxima de Cristo pela intensidade do seu amor aos pobres e doentes”, disse o arcebispo primaz do Brasil, dom Murilo Krieger, à Tribuna, sobre Irmã Dulce.

A Bem-Aventurada Dulce dos Pobres foi festejada na segunda-feira (13), no seu dia, com uma missa que lotou o santuário que leva o nome da beata, no Largo de Roma, com a presença de fiéis, autoridades, políticos, pacientes e funcionários do Hospital Santo Antônio, que a freira fundou, a partir de um galinheiro.

Para o reitor do santuário, padre Alberto Montealegre, “é um momento de recordar Irmã Dulce de fé, esperança e caridade. É um momento de incentivar, seguir o exemplo de fé, esperança e de caridade”, destacou. O padre conta que não chegou a conhecer Irmã Dulce pessoalmente, conheceu sua vida através do que leu e o que escutou sobre a freira.

Na sua opinião, Irmã Dulce “tinha tudo para não fazer nada, por ser franzina, mulher e ainda com a saúde debilitada. Mas pela fé, ela conseguiu fazer tudo, um hospital dentro de um galinheiro. Nos ensina que a partir da fé se pode mudar o mundo!”, sinalizou o reitor.

“Irmã Dulce é uma mestra, a professora na escola do amor”, sintetizou o padre Antônio Maria, que era amigo da freira, conhecido por suas músicas pelos católicos. Veio especialmente do Rio de Janeiro para a celebração do dia da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres, instituído em maio de 2011, após a sua beatificação.

O religioso enfatizou que só com o amor as pessoas podem conseguir a sua realização e isto, muitas vezes, se leva muitos anos na vida para aprender, mas que o exemplo que a beata deixou pode ser seguido por muitos.

A presidente das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), Maria Rita Lopes Pontes, sobrinha e batizada com o nome da freirinha antes de oficializar seu ingresso na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição Mãe de Deus, em 13 de agosto de 1933, disse que o momento era “de alegria e de festa para se relembrar e manter vivo o exemplo de amor e solidariedade”.

Os santos

No início da cerimônia, as pessoas saudavam a beata com um lencinho branco distribuído aos fiéis, com a sua imagem e escrito “Festa da Bem-Aventurada Dulce dos Pobres-2012”, ao som da música “Salve, Salve a Irmã Dulce do amor” e durante a homilia o cardeal Dom Murilo falou dos ensinamentos da religiosa.

O cardeal destacou que todos os santos têm um jeito de ser; não se deixam levar pela vaidade; têm um olhar voltado para o céu; se sentem comprometidos com os pobres e doentes.

“Os santos são ousados, pensam longe, não se prendem às coisas. Eles sonham. Muitas vezes desanimamos, os santos diante de problemas buscam novos caminhos, colocam outras pessoas. Certos de que haverá solução se confiarem em Deus e no trabalho. Se Deus lhe desse (Irmã Dulce) mais vida, faria mais coisas”.

Diante disto, o cardeal afirmou que as pessoas podem pensar por que Deus a levou. "Deus é sábio porque quer que continuemos. Recebemos esta herança dela para continuar atendendo àqueles que precisam de caridade”.

Homenagem em Sergipe

Dulce dos Pobres terá a construção da primeira paróquia dedicada a ela em Aracaju. O projeto arquitetônico foi apresentado aos fiéis domingo passado, quando estiveram reunidos em louvor a quem dedicou a vida a ajudar aos pobres.

A imagem da Irmã Dulce foi levada pelas ruas de Aracaju até o bairro da Aruana, onde foi recebida, na capela do bairro, por centenas de fiéis de vários municípios sergipanos. A previsão de conclusão da obra é no dia 13 de agosto do próximo ano.

O primeiro milagre atribuído à beata aconteceu em Sergipe, na cidade de Malhador, localizada a 52 km de Aracaju (SE), , 42, em 12 de janeiro de 2001.

Cláudia Cristiane dos Santos Araújo ficou entre a vida e a morte devido a uma hemorragia pós-parto que durou cerca de 28 horas. Os médicos já estavam desenganados quanto à vida da sergipana.

Mas o padre Almir, amigo da família e devoto de Irmã Dulce, foi até a maternidade localizada na cidade de Itabaiana (SE), vizinha a Malhador, e entregou uma imagem da freira.

Mesmo sem poder falar, a sergipana ouviu do pároco que olhasse e pedisse com fé pela sua recuperação, o que aconteceu.


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