domingo, 22 de julho de 2012

Rebanho cristão dividido em religiões

Vera Luiza é católica e diz que não mudaria de religião.

Mesmo diante de problemas que marcaram sua vida, Vera Luiza Martins Joaquim jamais perdeu algo que considera mais valioso: a fé. Devota de Nossa Senhora Aparecida, é católica fervorosa e frequenta a missa religiosamente. Apesar da queda no número de fiéis da Igreja Católica, mantém-se firma na doutrina em que foi criada e acredita, e não titubeia, quando questionada se mudaria de religião.



“Nos momentos de alegria e tristeza em minha vida, recorri à fé e à minha santinha, sendo sempre atendida. Nunca desisti diante dos problemas, cujos males ajudaram a fortalecer a minha convicção naquilo que acredito. Não mudaria de religião, respeito a todas e sou feliz com a que eu sigo”, comenta.

Contribuindo para o crescimento da população evangélica, que passou de 15,4% em 2000 para 22,2% em 2010, Camila Fernanda de Godoi, antes católica, se converteu há seis anos à religião. A convite da irmã, passou a frequentar cultos evangélicos e continua até os dias de hoje.

“Senti-me bem na igreja evangélica, que me proporcionou uma transformação enquanto ser humano. Isso aconteceu aos 23 anos de idade e foi um momento em que tive condições de escolher o que queria para a minha vida. Para tudo isso, minha irmã serviu de exemplo”, argumenta Camila.

Estatísticas
De acordo com o Censo 2010 do IBGE, esta redução no percentual de católicos ocorreu em todas as regiões, mantendo-se mais elevada no Nordeste (de 79,9% para 72,2% entre 2000 e 2010) e no Sul (de 77,4% para 70,1%). A maior redução ocorreu no Norte, de 71,3% para 60,6%, ao passo que os evangélicos, nesta região, aumentaram sua representatividade de 19,8% para 28,5%.

Entre os estados, o menor percentual de católicos foi encontrado no Rio de Janeiro: 45,8% em 2010. O maior percentual era no Piauí, 85,1%. Em relação aos evangélicos, a maior concentração estava em Rondônia (33,8%), e a menor no Piauí (9,7%).

Espíritas
Entre os espíritas, que passaram de 1,3% da população (2,3 milhões) em 2000 para 2,0% em 2010 (3,8 milhões), o aumento mais expressivo foi observado no Sudeste, cuja proporção passou de 2,0% para 3,1% entre 2000 e 2010, um aumento de mais de 1 milhão de pessoas (de 1,4 milhão em 2000 para 2,5 milhões em 2010). O estado com maior proporção de espíritas era o Rio de Janeiro (4,0%), seguido de São Paulo (3,3%), Minas Gerais (2,1%) e Espírito Santo (1,0%).

Sem Religião
O Censo 2010, também, registrou aumento entre a população que se declarou sem religião. Em 2000, eram quase 12,5 milhões (7,3%), ultrapassando os 15 milhões em 2010 (8,0%).

Religiões Afro
Os adeptos da umbanda e do candomblé mantiveram-se em 0,3% em 2010.

Homens
Com proporções de 65,5% para homens e 63,8% para mulheres, os católicos são, junto com os sem religião (9,7% para homens e 6,4% para mulheres), os que apresentam mais declarantes do sexo masculino. Nos demais grupos, as mulheres eram maioria.

A proporção de católicos, também, foi maior entre as pessoas com mais de 40 anos, chegando a 75,2% no grupo com 80 anos ou mais. O mesmo se deu com os espíritas, cuja maior proporção estava no grupo entre 50 e 59 anos (3,1%). Já. entre os evangélicos, os maiores percentuais foram verificados entre as crianças (25,8% na faixa de 5 a 9 anos) e adolescentes (25,4% no grupo de 10 a 14 anos).

No que tange ao recorte por cor ou raça, as proporções de católicos seguem uma distribuição aproximada à do conjunto da população: 48,8% deles se declaram brancos, 43,0%, pardos, 6,8%, pretos, 1,0%, amarelos e 0,3%, indígenas. Entre os espíritas, 68,7% eram brancos. Entre os evangélicos, a maior proporção era de pardos (45,7%). Grande representatividade de pretos foi verificada na umbanda e candomblé (21,1%). Nos sem religião, predomina a parda (47,1%). (Por Adriel Arvolea)


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