terça-feira, 10 de julho de 2012

Papa apoia o número 2 do Vaticano em relação às críticas no caso Vatileaks

Cardeal Bertone teve sua renúncia rejeitada pelo Papa.

O Papa Bento XVI expressou total apoio a seu número dois, o cardeal italiano e secretário de Estado Tarcisio Bertone, alvo de ataques internos no Vaticano revelados pela divulgação de documentos confidenciais, no caso conhecido como "Vatileaks".

"Ao ter constatado as injustas críticas emitidas contra você, quero renovar a expressão de minha confiança pessoal", afirma o Papa em uma carta divulgada nesta quarta-feira, redigida antes da viagem na terça-feira para a residência de verão de Castel Gandolfo, segundo um comunicado do Vaticano.

Bento XVI recordou que já havia manifestado a confiança em uma carta de 15 de janeiro de 2010, cujo conteúdo "não mudou".

"Desejo expressar meu reconhecimento por sua discreta proximidade e seus iluminados conselhos, que tem me servido de particular ajuda nos últimos meses", acrescentou o pontífice, em uma referência indireta ao escândalo provocado pelo vazamento de documentos confidenciais do Papa Bento XVI, chamado pela imprensa de Vatileaks.

A imagem do Vaticano ficou abalada após o vazamento de uma centena de documentos internos, incluindo muitas cartas privadas dirigidas ao Papa ou a seu secretário, o que provocou uma das maiores crises do papado de Bento XVI ao deixar em dúvida até mesmo sua liderança como guia da Igreja Católica.

Segundo a imprensa italiana, o mordomo do Papa, Paolo Gabriele, que foi detido pelos vazamentos, não foi o único a repassar documentos aos jornalistas e pelo menos dois cardeais poderiam estar envolvidos no escândalo, que tem como objetivo desacreditar uma ala do episcopado italiano que tem ambições de chegar ao trono de Pedro na próxima eleição papal.

Em uma entrevista divulgada em junho, o cardeal Bertone lamentou a "mesquinhez, as mentiras e as calúnias" contra a Igreja e afirmou que tudo não passa de uma "tentativa encarniçada e repetida de separar, de criar divisão entre o Santo Padre e seus colaboradores, e entre os próprios colaboradores".

O cardeal Bertone, 77 anos, apresentou em dezembro de 2009 sua renúncia, como é tradição, ao chegar ao limite de idade, mas o Papa rejeitou e o confirmou no cargo em várias ocasiões.

O religioso é desde 2007 "camerlengo da Santa Igreja romana", função do cardeal que governa a igreja interinamente entre a morte de um Papa e a eleição do sucessor.

Considerado um eclesiástico extrovertido, enérgico e com ideias conservadoras, Bertone, nascido em 2 de dezembro de 1934 em Romano Canavese, perto de Turim, mais que um diplomata, como corresponde tradicionalmente ao delicado cargo, é um especialista em assuntos internos da Igreja.

Bertone substituiu o cardeal italiano Angelo Sodano, braço direito de João Paulo II durante 15 anos. Ele é criticado pela falta de tato diplomático, pelas viagens excessivas e pela administração "autoritária" de sua equipe de trabalho.

O Papa renovou no fim de junho parte da Cúria Romana, o governo central da Igreja, e os vaticanistas acreditam que Bertone deixará o cargo nos próximos meses.

Segundo quase todos os jornais italianos, o Papa teria decidido que o novo secretário de Estado será um estrangeiro procedente da escola diplomática vaticana e até chegou a divulgar uma lista de candidatos.

Gianluigi Nuzzi, autor do livro "Vossa Santidade, as cartas secretas de Bento XVI", que contém uma centena de documentos confidenciais e cartas dirigidas ao Papa, acredita que os textos revelam "os confrontos secretos e armadilhas em todos os níveis" existentes nos palácios apostólicos.

Fonte: http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI5876006-EI294,00-Papa+apoia+o+numero+do+Vaticano+em+relacao+as+criticas+no+caso+Vatileaks.html
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